05
Out 11
[Flora Chang]

 

um pássaro disse a palavra poalho

e pintou-a de entrepausa

 

o pássaro pipilou a palavra pinaça

e pintalgou-a de paciência

 

no momento em que desabava

uma chuva miúda e impensada

entraram no barco com

vontade de remar.

publicado por Paola às 13:14

16
Jun 10

Jorge Soares
Quando uma língua
se cala no silêncio
da paisagem

é porque há um mar
afogado no azul

uma língua de areia
que trinca o espaço
instalado entre
o mar e o rio

e um rio que corre
na vertigem da boca
que morde a confusão
da foz

então, há uma verdade
que se despe no
gosto do sal.

 


13
Jun 10

 

Na casa opulenta

que se aprumava

no monte

havia um espelho

que reproduzia

o Sul

 

 

Todas as manhãs se

ajeitava nos braços

do Sol

até à fonte

do outro lado

do  rio

 

Retratava os sorrisos

das bocas que corriam

na doce ignorância

que a areia ateada

distorcia a distância

 

este espelho

daninho ri-se

e eu não creio

no que avisto

 

a luz não pode

mostrar assim.


04
Jun 10

 

Setúbal, Rio Sado


[Jorge Soares]

Quem inventou a

distância ____________

DeSconhecia quanto dói a

A

U

D

A

D

E

.

.

.


03
Jun 10

 

 

[da internet]

 

 

Escuta, escuta, pára

Quero perguntar-te

se sabes o que é o amor.

 

Será paixão, alegria?

Será magia ou a suavidade

do teu rosto?

A beleza do teu corpo,

as carícias das tuas mãos

ou o vinho dos teus lábios

nos meus?

 

Escuta, escuta, pára!

Quero saber se o amor

se vai alimentando

enquanto se vai amando

ou se amaldiçoa o chão

à velocidade das raízes

antes que tenhas tempo

de me envolver com o

azul que adopta a noite.

 

Escuta, escuta, pára!

Quero saber de ti

o que é olhar e ter fome

da tua boca que me evita.

 

Escuta!Ou então pára!

Adivinha

o que me cala

sempre que quero

dizer que te amo.

 

 

 

 

publicado por Paola às 15:39

Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto.

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