um pássaro disse a palavra poalho
e pintou-a de entrepausa
o pássaro pipilou a palavra pinaça
e pintalgou-a de paciência
no momento em que desabava
uma chuva miúda e impensada
entraram no barco com
vontade de remar.
um pássaro disse a palavra poalho
e pintou-a de entrepausa
o pássaro pipilou a palavra pinaça
e pintalgou-a de paciência
no momento em que desabava
uma chuva miúda e impensada
entraram no barco com
vontade de remar.
Na casa opulenta
que se aprumava
no monte
havia um espelho
que reproduzia
o Sul
Todas as manhãs se
ajeitava nos braços
do Sol
até à fonte
do outro lado
do rio
Retratava os sorrisos
das bocas que corriam
na doce ignorância
que a areia ateada
distorcia a distância
este espelho
daninho ri-se
e eu não creio
no que avisto
a luz não pode
mostrar assim.
[Jorge Soares]
Quem inventou a
distância ____________
DeSconhecia quanto dói a
A
U
D
A
D
E
.
.
.

[da internet]
Escuta, escuta, pára
Quero perguntar-te
se sabes o que é o amor.
Será paixão, alegria?
Será magia ou a suavidade
do teu rosto?
A beleza do teu corpo,
as carícias das tuas mãos
ou o vinho dos teus lábios
nos meus?
Escuta, escuta, pára!
Quero saber se o amor
se vai alimentando
enquanto se vai amando
ou se amaldiçoa o chão
à velocidade das raízes
antes que tenhas tempo
de me envolver com o
azul que adopta a noite.
Escuta, escuta, pára!
Quero saber de ti
o que é olhar e ter fome
da tua boca que me evita.
Escuta!Ou então pára!
Adivinha
o que me cala
sempre que quero
dizer que te amo.